Já pode separar seu casaco mais quentinho, um bom corta-vento, luvas, cachecol, touca, meias grossas e tudo mais que você tiver para se manter aquecido… para conhecer os Geysers el Tatio você vai precisar de tudo isso!

É até difícil acreditar, mas no inverno a temperatura nos Geysers el Tatio pode facilmente chegar a -30º. No verão a perspectiva é um pouco melhor, pegamos -5º na viagem! ⛄😖

Mas não se assuste com a temperatura, este é um dos passeios mais diferentes do Atacama, e enfrentar a friaca vai valer muito a pena!

Frio?! Imagina!

Se você leu o post Atacama: Sugestões de roteiros de 3, 5 e 7 dias”, viu que nas nossas sugestões de roteiros, deixamos os Geysers el Tatio para o 5º dia. E essa escolha não foi por acaso: o campo geotérmico fica a mais de 4300 metros de altitude, sendo que San Pedro está a apenas 2400 metros acima do nível do mar, ou seja, é alto pra caramba!

Deixar o passeio para fazer depois do quarto ou quinto dia de viagem é o ideal para você já chegar lá aclimatado e não sofrer tanto com o soroche.

Sobre o soroche

Pra quem não sabe, o soroche, também conhecido como mal de altitude ou mal da montanha, é o reflexo que a altitude causa no nosso organismo.

Devido ao ar rarefeito e a baixa pressão de regiões muito acima do nível do mar, nossa respiração fica comprometida, e isso leva a uma falta de oxigênio no sangue. O corpo que não está adaptado responde negativamente a essa situação, então sintomas como dores de cabeça, enjoos, vômitos, fadiga, falta de apetite e insônia aparecem.

Quem vive em regiões mais baixas, como as litorâneas, tendem a sentir mais ainda este efeito.

De 10% a 25% das pessoas não aclimatadas, que sobem a altitudes de 2.550 m, desenvolvem sintomas leves a moderados num período de seis a 12 horas. Esse quadro se instala em 50% a 85% dos que atingem 4.500 m a 5.000 m.
Fonte: drauziovarella.uol.com.br

Se você for subindo gradualmente, o corpo vai se adaptando e passa a produzir mais hemácias, assim a absorção de oxigênio aumenta.

Sol começando a aparecer nos Geysers el Tatio

É por isso que deixar os Geysers el Tatio para o final é uma boa escolha! 

No nosso roteiro, fizemos este tour no 4º dia.

Para evitar o soroche, algumas atitudes simples podem ajudar: beber muita água, dormir bem, não ingerir álcool, comer comidas leves, evitar carne vermelha, não fazer esforço físico, tomar chá de coca ou mascar folhas de coca são algumas delas.

Mesmo tomando todas as precauções, nossa maior dica é: não deixe de contratar um bom seguro viagem! Só assim você poderá curtir o mochilão sem se preocupar. 


 A Real Seguro é parceira do Blog Viajando na Janela. Fazendo seu seguro viagem por este link você garante o melhor preço e ainda ajuda no crescimento do blog! 😉


Geysers el Tatio: como foi nosso passeio

Como você já deve saber, contratamos todos os nossos passeios com a 123Andes, e essa foi uma excelente escolha. (Nós indicamos a agência e no final do post deixo o contato deles, ok?)

Para visitar os Geysers el Tatio, é necessário estar bem disposto e querer muito ver um geyser! 😂😂😂

Primeiro por causa da altitude, segundo pelo frio e terceiro por conta do horário que o tour sai, que, digamos, é um pouquinho cedo. Cedo tipo 05h da madrugada. 😱

Aí você me pergunta (com toda a razão): por que raios temos que sair a essa hora da matina?
Simples! Por uma questão de temperatura, os geysers ficam muito mais ativos pouco antes do sol dar as caras.  Então, se você chegar mais cedo, encontrará o campo termal com muito mais vapores e com jatos de água muito mais intensos. Tenho certeza que você vai querer vê-los assim, não é?

Água fervente!

Os geysers também não ficam muito próximos a San Pedro do Atacama. A distância é de pouco menos de 100km, e a viagem até lá dura cerca de 1h30.
Quando a van que nos levaria passou no hostel ainda estava escuro. E logo que embarcamos não deu outra, todo mundo caiu no sono.

Pra falar a verdade, nem vi direito o caminho. Só fui despertar quando já estávamos chegando e o guia começou a explicar sobre o passeio.

Por falar em guia, o nosso (mais uma vez) era sensacional! Fomos com o Marcel, um cara muito gente boa e que sabe muito sobre o Atacama. Mais um ponto para a 123Andes!

A entrada nos Geysers custou 10.000 pesos*** por pessoa (+ou- 60 reais).
***preço de março/2018


Tenho que concordar que os passeios no Atacama não são muito baratos. Se você quiser economizar um pouco nesta viagem, dê uma olhada nestas dicas!


Todos repassaram o dinheiro para o guia, ele efetuou o pagamento das entradas e seguimos para o estacionamento.

Nossa primeira visão dos geysers

Quando a van parou, deu até uma vontade de não sair dela, maaasss, como já disse e repito, não é todo dia que a gente tem uma oportunidade como essa.

O guia nos deu um tempo livre para explorar o lugar e ficou preparando nosso café da manhã.

Impressionante, indescritível, incrível, faltam adjetivos para qualificar este lugar!

A primeira visão que tivemos  foi de gigantescas colunas de fumaça branca saindo do solo. Pegamos uma trilha e a medida que nos aproximávamos dos geysers pudemos ter a noção da grandiosidade daquilo tudo.

Os Geysers el Tatio compõem o 3º maior campo de geysers que existe. Este fenômeno natural não é muito comum, sendo que no mundo há +ou- 1000 geysers (cerca de 80 deles estão nos Geysers el Tatio).

Sol nascendo. É nesta hora que os geysers ficam mais ativos!

Os geysers são resultado de atividade vulcânica intensa. A lava fervente aquece a água que está infiltrada no solo e a pressão faz com que ela seja expelida violentamente para a superfície, podendo atingir muitos metros de altura. A temperatura dessa água pode chegar a mais de 80º!

Devido a estas condições extremas, é muito importante estar atento para a segurança e não ultrapassar as marcações no chão e também respeitar as placas indicativas.

Em 2015, uma turista belga foi tirar uma foto e por um descuido caiu em um dos geysers. Ela sofreu queimaduras em mais de 80% do corpo, chegou a ser levada para uma UTI de Santiago mas acabou falecendo.
Fonte: g1.globo.com

Outro fator que deixa o lugar ainda mais surreal são as montanhas e vulcões que o cercam. Com uma paisagem tão diferente, ficamos um bons minutos tirando fotos!

Ah! E uma dica: neste passeio, leve seu celular e/ou câmera bem carregado. O frio muito intenso pode fazer com que as baterias descarreguem com mais facilidade. 

Não sentimos os efeitos mais intensos do soroche, mas sempre que abaixava ou dava uns passos mais rápidos, vinha uma leve tontura. Com a altitude não dá pra brincar, então o melhor é respeitar os limites do corpo e fazer tudo bem devagar.

Outra coisa diferente do passeio é o cheiro forte de enxofre que a região tem, mas isso é bem tranquilo, nada que seja insuportável ou atrapalhe.

Com o nascer do sol, o lugar ganha cores lindas!

À medida que o sol foi nascendo, a paisagem que estava toda acinzentada, começava a ganhar tonalidades mais quentes. Os raios do sol começam a pegar nas montanhas, e em menos de quinze minutos o lugar se transforma. O céu se realça pelo azul intenso e as montanhas começam a ganhar uma coloração alaranjada bem viva. E são nestes primeiros minutos que os geysers ficam mais ativos. Tudo lindo demais!

Como combinado com o Marcel, ficamos 45 minutos conhecendo o lugar e tirando todas as fotografias que cabiam no cartão. 😅 Depois deste tempo, voltamos para a van para tomar o café da manhã.

Café da manhã servido pela agência 123 Andes

Pra esquentar, foi servido café solúvel e também chá. Além disso tinham biscoitos, pães, frutas, sucos, iogurte, cereais e o que eu mais gosto: dulce de leche!


Banho termal

Depois do café, vem a segunda parte do passeio! E essa é só para quem tem coragem.

Nos geysers existe uma piscina de águas termais, bem quentinha e relaxante. Mas entrar e sair dela é que é o  grande desafio.

Eu olhei para as pessoas felizes dentro da piscina, olhei para aquelas que estavam agonizando de frio do lado de fora, refleti muito sobre isso tudo, estudei todas as possibilidades, pensei em desistir, cheguei a conclusão que não valia a pena, mas mesmo assim fui 😬

Daí pra frente começou a baixaria hahaha.

Piscina temal

Fui até o vestiário que existe por lá e tirei a roupa de cima (já estava com a roupa de banho por baixo, e isto me poupou alguns segundos congelantes). Quando pisei descalço no chão, parecia que eu estava pisando em um bloco de gelo do polo sul.

Sai da cabine correndo e tremendo (mais tremendo do que correndo), fui até onde estava a Geisiele para deixar minhas coisas com ela. Neste meio tempo ainda deixei o meu celular cair em uma pocinha! Graças aos Deuses Atacamenhos ele não estragou.

Do nosso grupo, somente a Geisiele amarelou não quis encarar o frio, e sobrou pra ela ficar de fotógrafa.

Bom, aí veio a melhor parte. Coloquei os pés na água e já me senti mais confortável. Entrei na piscina junto com o Fábio e com a Mônica (do blog Leve Sem Destino), e ficamos relaxando por alguns minutos. O fundo da piscina é cheio de pedrinhas e as águas são bem escuras e densas.

Em alguns pontos de nascente a água é mais quentinha, então as pessoas se juntam mais nestes locais.

Para a nossa infelicidade, não tínhamos muito tempo. Curtimos o que pudemos e depois de alguns minutos veio a parte mais dura de todas: sair do quentinho da piscina e colocar roupa. Parece simples, mas pra mim esses minutos duraram uma eternidade.

Como não teve jeito, saí da piscina, peguei as coisas rapidinho, cheguei nos trocadores eeeee eles estavam lotados. 😭 Bora encarar uma fila.

Essa parte é bem engraçada, a galera fica toda se tremendo e doida para que o próximo entre e saia logo do trocador.

Curtindo a água quentinha!

Esperei alguns minutos e quando chegou a minha vez, um gringo que nem estava na fila passou na minha frente e correu para o trocador. Se fosse em uma situação normal de temperatura e pressão, talvez eu nem ligaria. Mas ali naquele momento cada segundo era precioso. Corri atrás do gringo, tentei explicar em portunhol que filas existem e devem ser respeitadas, e depois, sem saber se ele compreendeu ou não, passei na frente e me tranquei no trocador. #furadoresdefilanãopassarão

Roupas trocadas, fui me aquecendo novamente e com isso voltava o bom humor.

E vale a pena passar por tudo isso?
Bem, eu sou adepto da ideia de se vivenciar o máximo de experiências possíveis em uma viagem. Como já estava ali mesmo, por que não mergulhar em uma piscina com águas aquecidas pelo magma vulcânico, não é mesmo? E posso dizer que a água é realmente uma delícia! Não dá vontade de sair dali nunca mais.


Povoado Machuca

Já todo agasalhado e me sentindo melhor, retornamos para a van para seguirmos até o próximo destino, o povoado Machuca.

No caminho, cruzamos com muitas lhamas, alpacas e também vicunhas. Vimos até uma viscacha, uma espécie de coelhinho misturado com chinchila do deserto.

Vicunha
Tagua Cornuda, uma das espécie de aves que habitam o Atacama

Fizemos também uma rápida parada para fotos na margem do Rio Putana, em grande parte coberto por um musgo verde, lar de uma espécie de patinho preto.

Não demorou e chegamos no povoado. A vila é pequena, possui uma rua só e suas casas seguem o estilo tradicional de construção do deserto: casas feitas de barro e argila e cobertas por uma espécie de palha. Por lá ainda existe um comércio, onde é vendido o famoso espetinho de lhama – entre outras comidas típicas – e também uma igrejinha. Ah! Também tem banheiros (pagos) no povoado.

Povoado Machuca

Pelo que o guia disse, haviam sete famílias morando neste povoado, mas, sempre que os turistas chegavam, eles paravam nas primeiras casas e compravam tudo lá. Assim, as famílias que moravam mais ao fundo não tinham lucro, sendo que todo mundo por lá depende do turismo pra sobreviver. Essa desigualdade gerou uma insatisfação local, então ficou decidido que as famílias se revezariam. Assim, de tempos, uma família fica administrando o povoado enquanto as outras seis vivem em outro local. 

Outra coisa que tenho que te contar é que as pessoas de lá vendem espetinhos como se fossem carne de lhama. Maaasss, o Marcel desmascarou esta farsa e nos disse que na verdade eles vendem carne de vaca e dizem ser de lhama para atrair a curiosidade dos turistas.

No alto do morro, a igrejinha do povoado Machuca

Se você quiser experimentar o espetinho de carne de vaca de lhama esteja preparado, cada um sai a 2.500 pesos (+ou- 15 reais).


Retornamos para San Pedro do Atacama por volta de 12h. A sensação era de que aquele dia estava completo. Nada que pudéssemos ver ou vivenciar durante a tarde seria tão incrível quanto aquela manhã. Mas, quando se trata de Atacama, esteja preparado para se surpreender a cada passeio! E foi exatamente isto que aconteceu. No próximo post, contaremos tudo sobre as Lagunas Escondidas de Baltinache!


Informações Gerais

O que levar no passeio

  • Câmera e cartões de memória (e talvez uma bateria extra!);
  • Água mineral (pelo menos 1,5l por pessoa);
  • Snacks (caso queira beliscar algo no caminho);
  • Roupa de banho (já vá com ela por baixo das muitas camadas de agasalho);
  • Toalha;
  • Sacola para levar a roupa molhada;
  • 1ª, 2ª e 3ª Camada (2ª pele + fleece quentinho + corta-vento);
  • Meias grossas, touca, luva, cachecol;
  • Protetor solar, protetor labial e chapéu/boné;
  • Óculos de sol;
  • Papel higiênico;
  • Dinheiro para entrada e para lanches (caso queira).

Preços

Passeio: 35.000 pesos por pessoa.
Entrada nos Geysers: 10.000 pesos por pessoa.
*** preço de março/2018

Contato da Agência 123Andes

email: [email protected]
Whatsapp: +56 9 5238 6850


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Author

Flávio é mineiro, formado em Direito e já morou em várias cidades diferentes. Tem a fotografia como hobby e o blog como forma de dividir com outros suas experiências e seus clicks.

8 Comments

    • Flávio Borges Reply

      Ahhh que bom que gostou, Roberta! 😀

      Abraços!

  1. esse passeio é pura aventura: acorda super cedo, buraqueira na estrada, suuuper frio e dai a luz chegando com essas fumaças….um cenário de outro mundo!

  2. Quero muito ir pro Atacama, suas fotos ficaram incríveis! Tinha muita gente experimentando a “lhama”? Acho que eu ia é fugir disso! hahaha

    • Flávio Borges Reply

      Tinha sim, Marina.

      Muita gente experimentando “lhama”!! kkkk

      Valeu pelos elogios. 😉

  3. Que demais! Foi um dos passeios que não fizemos no Atacama, pois nos mostraram uma foto do dia anterior e tinha uma fumacinha de nada, achamos que não compensava o esforço… Voltaremos em breve pra fazer este e alguns outros passeios. Atacama incrível!

    • Flávio Borges Reply

      Faça sim, cara! Este é um passeio obrigatório do Atacama, pode apostar!

      Abç

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