Finalmente chegou a vez de contar tudo sobre essa experiência inesquecível que foi subir até o cume do Vulcão Lascar!

Desde que decidimos conhecer o Atacama, sonhávamos com a possibilidade de subir algum vulcão, afinal, não é todo dia que temos essa oportunidade, né?

Tudo o que você precisa saber antes de decidir se encara ou não esse desafio está no post, então vem comigo!


Sobre vulcões no Atacama

O Chile está entre os países com mais vulcões no mundo: possui (pasmem!) cerca de 2000 vulcões, e mais de 90 deles são considerados ativos nos dias de hoje.

Entre esses vulcões ativos está o Lascar, que teve sua última erupção em 2006, mas que constantemente deixa a região em alerta ao emitir imensas colunas de fumaça e cinzas. Ele é considerado o mais ativo do norte do Chile.

O vulcão Lascar fica a 132 km de San Pedro de Atacama, e com seus 5592 metros de altitude pode ser visto de longe em vários dos tours pelo deserto.

Além do Lascar, outros vulcões bastante procurados no Atacama pelos amantes de trekking e aventura são o Cerro Toco e o Licancabur.

O superfície do vulcão é arenosa e repleta de pedras soltas, bastante escorregadio!

Preparativos para a subida

Por indicação do pessoal da agência 123Andes – que não fazia este tour – fizemos a subida ao vulcão Lascar com o Nicolás, da agência Atacama Mountain Chile.

No dia anterior à subida, nos encontramos com ele na sede da 123Andes para acertarmos todos os detalhes do grande dia!

Além de mim e do Flávio, nossos amigos Mônica e Fábio (do Leve Sem Destino) e o Rafael (que trabalha na 123Andes) também participariam dessa empreitada.

Logo nos primeiros minutos de conversa percebemos que o Nico tinha muita experiência em ascensões desse tipo, o que nos deixou mais tranquilos.

Ele nos passou todas as informações sobre o trekking, checou se tínhamos todas as roupas que seriam necessárias e nos orientou sobre alguns cuidados que deveríamos tomar para aumentar as nossas chances de conquistar o cume.

Entre todas as informações passadas por ele, as mais importantes eram:

  • dormir cedo;
  • não ingerir carne vermelha;
  • não ingerir bebidas alcoólicas na noite anterior;

Depois de todos os detalhes acertados, nos despedimos e seguimos para o hostel.

Será que alguém ia conseguir dormir essa noite? hahaha

Uma das paradas para recuperar o fôlego

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O grande dia

O celular despertou às 4h30 e às 5h30 o Nico já estava passando no hostal pra nos buscar.

Entramos no carro ainda sonolentos, e após rodarmos por aproximadamente 3 horas, chegamos ao ponto onde ele serviria o nosso café da manhã: às margens da Laguna Lejía, um espelho perfeito da paisagem ao redor.

Só aquela vista já teria compensado ter saído da cama tão cedo!

Laguna Lejía e o reflexo perfeito da paisagem – da esquerda para a direita: vulcão Lascar, vulcão Aguas Calientes e Cerro Pili

Haviam outros carros próximos, mas pareciam ser de uma excursão fotográfica – perfeitamente compreensível diante daquele cenário.

O Nico abriu o porta-malas do carro e ali mesmo montou nosso desayuno. Tinham vários tipos de chá (inclusive de coca, que ajuda a amenizar os efeitos da altitude), suco, café solúvel, pão sírio, palta (o famoso abacate chileno), bolo, doce de leite, frios e biscoitos.

Se alimentar bem antes de encarar a subida é super importante para dar energia ao corpo!

chá de coca no café da manhã 😀

Durante o café da manhã, senti dores bem fortes nas costas, provavelmente efeito do soroche. Apesar de ter levado medicamentos pra dor muscular na mochila, segundo o Nico, eu não deveria toma-los naquela altitude e circunstâncias (chegaríamos a mais de 5.500m em poucas horas!).

Ele, experiente nessas situações, tinha paracetamol no carro e me deu meio comprimido – a outra metade eu deveria tomar depois de algumas horas, caso não me sentisse melhor. No fim das contas a dor passou e deu tudo certo!

Depois do café, nos despedimos daquela vista surreal e seguimos de carro até a base do vulcão, onde começaria o trekking.

Estávamos ansiosos pelo que estava por vir, afinal, foram meses de preparo físico e emocional para vivermos esse momento! haha

Voltamos a malhar pelo menos uns 6 meses antes da viagem, e no último mês intensificamos os exercícios aeróbicos para melhorar nosso desempenho na altitude.


Iniciando a subida

De carro, o Nico subiu até onde deu. Como estávamos em um 4×4, conseguimos ir até um ponto bem íngreme do Lascar.

Já a aproximadamente 4700 metros acima do nível do mar, começamos os preparativos.

A caminho do Lascar!

Reforçamos o protetor solar, recebemos o kit com lanchinho que o Nico preparou pra gente (com chocolate, um sanduíche natural, biscoitos e uma fruta), ajustamos os capacetes e aprendemos a caminhar com os bastões.

Cada um sobe com a sua mochila de ataque, e nela é preciso levar água, lanche, protetor solar, protetor labial, e no caso de precisar tirar alguma das camadas de roupa, pode guardar nela também.

Demos início à ascensão por volta das 9:30 da manhã. Ventava muito e o frio era intenso!


Ascensão até a cratera do vulcão Lascar

O terreno é basicamente formado por pedras soltas, por isso a importância de utilizar um calçado adequado e os bastões de caminhada.

Olhando ali de onde estávamos, a subida não parecia ser difícil e o cume também não parecia ser tão longe. Mas logo que começamos a caminhar descobrimos que não seria assim tão fácil: a altitude realmente dificulta as coisas!

Cada passo dava a impressão de termos corrido uma maratona, o ar era escasso e o coração batia cada vez mais forte.

Paradinha para respirar e beber água

Ao longo da subida fizemos diversas paradas para recuperar o fôlego e nos hidratar. Mas essas paradas tinham que ser rápidas (cerca de 10 min), já que se o corpo esfriasse, poderia comprometer o nosso objetivo de chegar ao topo.

Por volta da terceira parada, o Rafael desistiu. Normalmente, quando alguém desiste, o grupo inteiro tem de voltar. Nós só não voltamos porque, como estávamos ainda no começo, seria tranquilo  conseguir voltar pro carro. O Nico deu ao Rafa um rádio, e eles se ficaram se comunicando durante todo o trajeto.

essa vista… <3
Pedras soltas + neve – caminhada nível hard!

Ficamos meio abalados com essa desistência, pois o Rafael mora no Atacama já há algum tempo e estava mais acostumado com a altitude do que nós, que chegamos ali não fazia nem uma semana…

Foi aí que o Nico reforçou que, mais importante que a condição física, era saber dominar o psicológico. Se ficássemos pensando que era difícil, que não conseguíamos mais continuar, provavelmente não iríamos conseguir mesmo.

Continuamos a subida em silêncio, pois era cada vez mais difícil conversar e caminhar ao mesmo tempo, devido ao ar rarefeito.

Nico nos passando orientações durante a caminhada – um guia experiente é muito importante nesse tipo de tour!

Em um dado momento da caminhada, descobrimos que, devido à necessidade de se manter sempre hidratado, também vem a necessidade de eliminar o líquido ingerido 😅😅😅.

Para os homens do grupo não havia dificuldade nenhuma, já que só precisavam dar as costas e fazer o já estão acostumados… Mas digamos que, pra mim e pra Mônica, era um pouco mais complicado, já que o baño inca (o banheiro ‘natural’) ali era num nível mais hard, sem qualquer pedra ou outra coisa parecida por perto.

Tivemos que usar a criatividade (e os nossos casacos 😂😂😂) para fazer uma ‘cortina’ e nos dar o mínimo de privacidade necessária nesse momento delicado kkkk.

Na hora foi um pouco tenso, mas hoje já conseguimos rir desses episódios até então inéditos nas nossas vidas rsrs.

Continuávamos subindo, e as paradas ficavam mais frequentes, já que o corpo começava a ficar cansado e o ar cada vez mais difícil de chegar aos pulmões. 

Foi aí que chegamos no trecho com neve: iríamos precisar ter mais cuidado ao caminhar para não escorregar.

Continuamos em fila indiana, no ritmo ‘devagar e sempre’ quando, às 13:40 da tarde, mais de 4 horas depois de iniciarmos a subida, finalmente chegamos à cratera do imponente vulcão Lascar, a aproximadamente 5535m de altitude!

A cratera do Lascar e sua fumarola constante

Foi um misto de sensações e sentimentos pra todos nós: cansaço, felicidade, surpresa e gratidão, uma recompensa por todo o esforço que fizemos para estar exatamente ali, onde há vários meses sonhávamos chegar.

O cheiro de enxofre se fazia presente na constante fumarola que sai da cratera.  Aproveitamos o momento para fazer um lanchinho, descansar os músculos e apreciar aquela vista incrível.

como não ficar felizzz com essa conquista? 😀

Ataque ao cume

Depois de curtir um pouco o lugar, o Nico nos perguntou se gostaríamos de tentar o cume. Normalmente a maioria das pessoas chega até a cratera – que já é um esforço do caramba! – e retorna dali.

Vendo o desempenho do nosso grupo e por toda a experiência que possui nesse tipo de atividade, ele disse que provavelmente conseguiríamos.

Eu já estava exausta, e por mim, ter chegado até ali já estava ótimo, mas todos ficaram empolgados com a possibilidade que não tive outra alternativa senão tentar também 😃

A temperatura ali com certeza já estava abaixo de 0 e o vento cortava, e isso se intensificaria ainda mais nos próximos 90 metros rumo ao topo. Novamente reforçamos o protetor solar e continuamos a caminhada vulcão a cima.

Eram pouco mais de 14:00hs quando iniciamos o ‘ataque’ ao cume. Faltavam apenas mais alguns metros para conquistarmos algo que seria uma das realizações mais incríveis de nossas vidas.

O terreno aqui era mais inclinado, o que tornava tudo ainda mais difícil. Muitas vezes pensei em desistir, mas precisava me fazer lembrar de todo o caminho que já havia percorrido para chegar até ali. O coração batia muito forte, quase disparado, e às vezes o ar chegava a faltar a cada passo dado.

E é aí que um grupo unido e um bom guia podem fazer toda a diferença. Os olhares de ‘você consegue!’ me fizeram tirar forças de nem sei onde, e então continuar.

Às 14:30 chegamos ao tão sonhado cume do vulcão mais ativo do norte do Chile, no alto dos seus 5592m de altitude, onde fazia um frio congelante de cerca de -15°. Sim, Q-U-I-N-Z-E graus NEGATIVOS!

Fábio, Flávio, eu e Mônica – enfim, o TOPO! 😀
Nós e o cume! Ali atrás, o topo do vulcão Aguas Calientes, vizinho do Lascar

Não consegui segurar a emoção de ter chegado até ali e chorei. A Mônica também. Nos abraçamos e comemoramos o nosso grande feito, talvez uma das coisas mais difíceis que fizemos na vida até então.

Ficamos cerca de 20 minutos ali, processando tudo o que tinha acontecido no dia, registrando o momento e apreciando aquela vista de tirar o fôlego.

Hora de descer

Já eram quase três da tarde e precisávamos voltar.

Iniciamos a descida às 14:50h. Apesar de escorregar um pouco mais na descida por conta da neve e das pedras soltas, descer era bem mais fácil e não exigia tanto da nossa respiração. 

Hora de descer – muito cuidado para não escorregar

Levamos pouco menos de duas horas até chegar onde estava o carro. Nesse momento, o Flávio, que até então não havia sentido nenhum mal estar durante a subida, começou a sentir fortes dores de cabeça – o soroche atacou novamente, não o subestime!

Retornamos a San Pedro mortos, mas com a sensação de dever cumprido e de que fomos f#&@ pra caramba!


Importante!

Se você tem qualquer problema cardíaco ou respiratório, não deixe de consultar seu médico antes de encarar essa aventura.

Em 2017, um turista brasileiro sofreu uma parada cardíaca e faleceu no local, por isso, mais uma vez, consulte o seu médico!

Nós e a enorme cratera do Lascar

Considerações Finais

Sobre nosso guia: foi simplesmente o melhorGraças ao incentivo dele conseguimos chegar até o topo.

Várias das fotos do post (as que nós 4 aparecemos) foram feitas por ele, que pegava nossa câmera, saía correndo vulcão a cima (ou a baixo, em alguns momentos rsrs) e registrava pra gente esses momentos que vamos levar pra vida.

O Nico foi, além de guia, um bom amigo que fizemos no Atacama. E se você pretende escalar algum vulcão no Atacama, indicamos ele de olhos fechados!

A poucos passos da cratera

Tem videozinho! Dá o play:


Informações gerais

O que levar no tour:

  • Uma mochila de ataque;
  • Três litros de água por pessoa;
  • Câmera + baterias extras (o frio faz com que elas se esgotem mais rápido);
  • Vestir-se em camadas: calça e blusa segunda pele, calça de trekking, casaco de plumas ou fleece e corta-vento;
  • bota de trekking confortável;
  • gorro, cachecol e luvas;
  • protetor solar / protetor labial / óculos de sol;
  • papel higiênico / saquinho para o lixo;
  • lanche / chocolate / frutas, caso não esteja incluso no tour.

Quanto custa?

85.000 pesos chilenos (aproximadamente R$510,00 por pessoa)***
***valores em março de 2018

Contato da agência Atacama Mountain Chile

Site: atacamamountainchile.com

Instagram: @atacamamountainchile

E-mail: [email protected]

Telefone: +56 9 8412-9958


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Author

Mineira, 31 anos, formada em Sistemas de Informação com Pós em Administração e Marketing. É apaixonada por viagens, principalmente aquelas que possibilitam visitar novos lugares e conhecer novas culturas. Passa horas na internet lendo relatos de outros viajantes e adora contar suas experiências nas redes sociais e no blog.

7 Comments

  1. Amei o relato! Deve ter sido uma experiência incrível. Quando eu tiver oportunidade com certeza irei fazer. As dicas de vocês são ótimas, parabéns pelo blog! Uma perguntinha, vocês irão fazer outro post sobre gastos na viagem como fizeram com o mochilão da Tailândia? Abraços!

    • Geisiele Carvalho Reply

      Oi Raiane! Muito obrigada pelo feedback <3
      Foi uma experiência maravilhosa, acho que todo mundo deveria subir um vulcão pelo menos uma vez na vida!

      Como é meio demorado compilar todos os gastos, resolvemos adiantar alguns posts da viagem antes de focar nesse dos gastos, mas vamos fazer sim, deve sair nos próximos dias 🙂

      Beijo!

  2. Com certeza um dos meus próximos destinos! Quero muito conhecer o Chile e fazer essa subida!!!!!

    Muito sucesso pra vcs! 🙂

    • Flávio Borges Reply

      Vc vai curtir demais, pode ter certeza disso 😉

      Abraços

  3. Oi!
    Adorei ler sobre esse tour, quero muito fazer em outubro! Fiquei ainda mais empolgada depois de ler.
    queria saber se a agencia fornece os bastões de caminhada e que luva você indica usar.

    obrigada!
    Marcella

    • Geisiele Carvalho Reply

      Oi Marcella!
      Tenho certeza que você vai curtir bastante, é uma sensação única! <3
      A agência que fizemos forneceu os bastões e o capacete, além de um lanchinho para comermos no caminho.
      O Nico é ótimo, divertido e nos incentivou o tempo todo, além de ter muita experiência em ascensões desse tipo.
      Tanto eu quanto o Flávio usamos uma luva da Decathlon, de fleece, e foi suficiente! Ela custa mais ou menos uns R$20,00.

      Fique a vontade pra perguntar caso tenha qualquer outra dúvida, tá?

      Geisi

  4. Ana Carolina Miranda Reply

    Nossa, deve ter sido uma aventura e tanto! Confesso que não teria coragem, pois o meu preparo físico não é lá essas coisas, mas tenho certeza que deve ter sido maravilhoso!

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