Meia hora… uma hora… uma hora e meia… O tempo ia se arrastando quase na mesma velocidade em que navegávamos. Levei a mão no fundo da mochila de ataque e (ufa!) encontrei meus fones de ouvido. Dei o play naquela seleção escolhida a dedo para o mochilão e, sem ter muita escolha, me acomodei no banco de madeira. Enquanto isso, cruzávamos o Titicaca, o 2º maior lago da América do Sul, com destino à lendária Isla del Sol.


Isla del Sol é considerada um dos lugares mais sagrados dos AndesSó para se ter uma noção da sua importância religiosa, segundo a lenda, foi exatamente naquela gigante ilha que surgiu a versão andina de Adão e Eva.


Inti, o Deus Sol, ao ver que os homens viviam na terra de forma selvagem, resolveu que era hora de ensinar “bons modos” à humanidade. Para isso, ele fez surgir um casal, Manco Capac e Mama Ocllo, e os enviou à Terra.

Os filhos de Inti emergiram ali mesmo, do fundo do lago Titicaca, permanecendo um tempo em Isla del Sol.

Com toda a sabedoria dos deuses incas, eles ensinaram aos homens não-civilizados a justiça, a religião, a agricultura, a astrologia e muitas outras ciências.

Manco Capac e Mama Ocllo seguiram então para o norte e após uma revelação divina, fundaram um grande império: a cidade de Cuzco, no Peru.


Não sei se fui influenciado pela grande quantidade de coisas que eu tinha lido sobre a ilha, ou se foi por tudo que outros viajantes nos falaram, mas, ao descer do barco, pagar a taxa de entrada e finalmente olhar ao redor, já senti a energia especial vinda daquele lugar.

Isla del Sol

Pode ser clichê, admito… mas não tenho como escolher outro adjetivo para descrever Isla Del Sol: aquele pedacinho de terra no meio do Titicaca é um lugar mágico!

Dormimos só uma noite na ilha, mas esse tempo foi o suficiente para descansarmos do ritmo intenso do mochilão e revigorar as nossas energias.


Neste post, passarei todas as minhas impressões sobre Isla del Sol e também tudo o que considero essencial para que você possa acrescentar este destino (épico) em um roteiro pela Bolívia.


Ônibus, balsa e barco: como chegamos em Isla del Sol saindo de La Paz

Anote esta dica: em um mochilão, quando se tem um roteiro amarrado, uma boa pedida é comprar as passagens para o próximo destino logo que se chega em uma nova cidade. Assim a gente fica mais despreocupado, sem medo de não encontrar passagens para seguir viagem.

Fizemos isto durante toda viagem, deu super certo, e em La Paz não foi diferente.

Assim que chegamos no hotel em que nos hospedaríamos em La Paz (TerrAndes), perguntamos na recepção como poderíamos ir para Copacabana, cidade de onde saem os barcos que levam à Isla del Sol.

O rapaz que estava na recepção ligou na agência TransTiticaca, marcou nossos assentos no ônibus e fez a cobrança das passagens ali mesmo. O preço por pessoa foi de 60 bolivianos por pessoa (+ou- 30 reais), já com o transfer para o terminal de ônibus de La Paz incluído.

Se você optar por comprar a passagem diretamente no terminal, poderá economizar um trocado, pagando em torno de 35 bolivianos pelo trajeto (+ou- 18 reais).

O percurso até Isla del Sol envolve uma viagem de ônibus (com direito a balsa) + barco até a ilha.

Ônibus atravessando o estreito de Tiquina de balsa

Saímos de La Paz às 8:00h, em um dia nublado. Vez ou outra ensaiava cair uma garoa.

Pela janela, víamos a paisagem mudar rapidamente enquanto o ônibus percorria as confusas ruas da metrópole. Aquela La Paz caótica, desajustada, cheia de ambulantes ia ficando para trás, e uma nova La Paz nos era apresentada. Os prédios e comércios iam dando lugar a um cenário de casas bem simples, às vezes só no tijolo, sem pintura alguma, com muros de compensado… algumas não passavam de pequenos barraquinhos.

Se você for para a Bolívia, vá sabendo que aquele é um país muito pobre sim, mas a pobreza se resume à sua condição econômica, por que se falarmos de cultura e belezas naturais, a Bolívia é uma das nações mais ricas do mundo!

Fizemos uma viagem tranquila até San Pedro de Tiquina. Lá, tivemos que descer do ônibus, entrar em um barquinho e atravessar um canal chamado Estreito de Tiquina. Enquanto isso, nosso ônibus também embarcou em uma balsa e iniciou a travessia até o outro lado.

O barco que nos levou não era dos mais novos, mas pelo menos chegava a me passar segurança o suficiente para ter a certeza que chegaria (seco) do outro lado. Já aquela balsa de madeira caindo aos pedaços não transmitia nem um pouquinho de credibilidade.

Ao chegar na outra margem, fiquei observando o ônibus navegando naquela plataforma. Por um instante cheguei até a imaginar o que faria se nossos mochilões naufragassem no Lago Titicaca junto com o busão. Mas deu tudo certo e nossas coisas não viraram oferenda para Inti 😅. O ônibus chegou intacto do outro lado e seguimos viagem.

A travessia custou 2,50 bolivianos por pessoa, e compramos o ticket em uma bilheteria logo na margem do lago.

A viagem de La Paz até Copacabana durou 4 horas e meia.


Copacabana, a original

Não separamos tempo algum para conhecer Copacabana, até porque a cidadezinha às margens do Titicaca não oferece grandes atrativos.

Apesar de explorar o turismo, Copacabana funciona mais como um ponto de apoio para quem vai ou volta de Isla del Sol. Quem chega depois da saída do último barco com destino à ilha, geralmente pernoita na cidade e no outro dia segue viagem.


Se você optar por passar uma noite em Copacabana, veja as melhores opções de hospedagem pelo Booking aqui!


Porto de Copacabana

Nós chegamos em Copa às 12:10h e ao invés de desembarcar no terminal, achamos melhor descer aleatoriamente em uma das ruas próximas ao pier.

No mesmo lugar desceram mais algumas pessoas. Mas, diferente de nós, parecia que todos sabiam exatamente onde estavam e para onde iriam. Uns subiram a rua, outros desceram, e nós quatro ficamos com aquelas mochilas enormes sem saber o que fazer.
Neste mochilão estávamos a Geisi, eu e um casal de amigos, o Fábio e a Mônica

Sem muitas alternativas, saímos procurando algum lugar onde pudéssemos pegar algumas informações, comprar os tickets do barco e deixar nossas bagagens.

Ladeira acima, passamos em frente a uma agência de turismo bem simples. Entramos, deixamos nossas coisas no chão, enquanto fomos recebidos por um senhorzinho que, pelo número de rugas, se tivesse pouco, teria bem uns 70 anos. Ainda assim, ele era pura animação e pela forma como nos tratou, gostava bastante de brasileños.

A agência Imperio del Sol não passava de um cômodo com uma mesa, três cadeiras, um armário e uma mesinha de canto com algumas revistas e panfletos.

Usando nosso fluente “portunhol” e falando um pouco mais alto que o usual com o velho senhor, compramos os tickets do barco para a parte sul da Isla del Sol.

Aproveitamos também para perguntar se poderíamos deixar nossos mochilões guardados na agência até retornarmos de Copacabana. Acostumado com esta situação, o senhor apontou um canto, atrás de um painel, e lá amontoamos nossas coisas.


Nesta trip, para nos deslocarmos mais leves, algumas vezes deixávamos o mochilão guardado em algum ponto de apoio e depois retornávamos para buscá-lo. Com a gente, ia só a mochila de ataque com o essencial para o tempo em que estaríamos fora.

Foi assim quando fomos para Machu Picchu e deixamos o mochilão em Cusco, ou quando fomos para Huacachina e deixamos o mochilão em Paracas, e também quando fomos para Isla del Sol e deixamos o mochilão em Copacabana.

Lógico que não deixávamos nossas mochilas expostas, pedindo para serem saqueadas. Levamos aquelas bolsas de transporte para mochilão* (muito úteis, inclusive) e deixávamos eles trancados lá dentro.
* compramos os nossas bolsas na Decathlon neste link (e não, infelizmente não ganhamos nada indicando a loja 😂)



Enquanto a Geise e a Mônica ficaram na agência separando as coisas que levariam nas mochilas de ataque, o Fábio e eu fomos fazer o câmbio no centrinho de Copacabana.

Usando aquela estratégia de comprar a passagem para continuar a viagem logo que chegamos em um lugar diferente, aproveitei e fui pesquisando os preços do ônibus para Cusco nas outras agências.

Como os preços não variavam muito, resolvemos comprar na agência Imperio del Sol e ajudar nosso novo amigo copacabanense. 

O barco para a ilha nos custou 20 bol por pessoa (+ou- 10 reais) e, como iríamos pernoitar, a volta teria que ser comprada na própria ilha.

a passagem para Cusco ficou em 115 bols por pessoa (aproximadamente R$57,50) no “bus-cama”, e a empresa era a Transzela. O horário de partida estava previsto para 18:00h, ou seja, daria para voltarmos no barco das 15h.


Anote aí:

  • os horários de ida de barcos para Isla del Sol são apenas dois. Pela manhã, ele sai às 8h30, já à tarde, a única opção é às 13h30. Fora isso, só mesmo contratando um barco privado, mas não cheguei a perguntar quanto ele custa.
  • Isla del Sol ainda é um lugar bem simples e não dispõe de casas de câmbio. Então, se você estiver sem bolivianos, faça o câmbio em Copacabana.
  • Não indico a ninguém fazer saques em caixas eletrônicos no exterior, mas, se for necessário, em Copacabana tem alguns.
  • A viagem de ônibus de Copacabana para Cusco dura em média 12 horas, então, se você também for fazer este percurso, indico comprar o “bus-cama”, que é uma espécie de 1ª classe do busão. As poltronas reclinam 160º e tem um apoio para os pés, o que é muito bom para viajarmos à noite dormindo. E o melhor de tudo, a diferença de preço para a “classe econômica” é muito pequena. Vale a pena, pode acreditar!

À título de curiosidade, o nome Copacabana do famoso bairro do Rio de Janeiro tem tudo a ver com o nome da cidade boliviana de Copacabana.

No início do século XVI, uma imagem de Nossa Senhora foi entalhada e colocada às margens do Lago Titicaca. Com o tempo, os locais começaram a se referir à imagem como a Nuestra Señora de Copacabaña. (“Copacabana” é uma palavra quechua que significa “olhando o lago”)

Em algum momento do passado, mercadores portugueses levaram uma réplica da imagem da Santa boliviana para o Rio de Janeiro e para abrigar a imagem, foi construída a capela de Nossa Senhora de Copacabana, onde hoje é o Forte de Copacabana.

Fato é que os cariocas curtiram o nome e em homenagem à Santa, resolveram batizar a famosa praia e o badalado bairro de “Copacabana”.


A orla da Copacabana boliviana é bem mais simples e não tem nem quiosques e muito menos areia fina, mas tem vários restaurantes com uma vista linda para o Lago.

Escolhemos um deles e como não tínhamos muito tempo, pedimos hambúrgueres para almoçar (preço do almoço 23 bol por pessoa / +ou- R$ 11,50).

Almoçamos rapidinho e chegamos no local de embarque bem em cima da hora. Como já esperávamos, encontramos um fila bem grande por lá.

E aqui fica outra dica, se você pretende escolher onde quer se sentar no barco, chegue pelo menos uns 15 minutos antes do embarque. Como fomos quase os últimos, o que nos sobrou foi a parte da frente da embarcação, em um banco de madeira, duro, junto com um monte de mochilas.





De barco até Isla del Sol … zzz

Todos à bordo, o barco ligou os motores e partimos. O barco não é grande… cabe, no máximo, umas 50 pessoas.

Assim que zarpamos fomos nos distanciando do píer vagarosamente. A todo momento eu ficava na expectativa de que o ‘capitão’ soltasse o freio de mão, engatasse a primeira e acelerasse para ganharmos o mínimo de velocidade esperado.

Mas como eu estava enganado!

De certa forma, eu já sabia que o barco era lento, já tinham me avisado sobre isso… só que não esperava que fosse tanto.

Tartarugamente fomos avançando Titicaca adentro. Enquanto isso, fiquei observando a galera que também ia para Isla del Sol.

Praticamente todos ali eram viajantes. Muitos com traços andinos, mas era nítido que a maioria vinha dos mais diferentes lugares do mundo. Grande parte era jovens que aparentavam ter em média 30 anos, mas também tinham alguns mochileiros mais experientes.

Os que não estavam conversando, estavam cochilando ou entediados.

Coloquei os fones de ouvido, encontrei uma posição mais confortável e, conformado, esperei o primeiro sinal da ilha.

Fila para pagar o ticket e entrar na parte sul de Isla del Sol

Pra quem não ligar de passar um pouco de frio, dá para ir na parte de cima do barco, que é aberta. Nós não tivemos essa opção por causa da lotação, mas imagino que lá do alto, a vista que se tem das cordilheiras deve fazer valer a friaca.

Uma das melhores coisas para se fazer em Isla del Sol: explorar todos os lugares possíveis

Sobre os conflitos em Isla del Sol

Se você já leu alguma coisa sobre Isla del Sol, provavelmente viu que ela se divide em três territórios controlados por comunidades diferentes:

  • Comunidade Challapampa: fica localizada no lado norte da ilha. Por lá estão as maiorias ruínas incas, mesmo assim tem uma estrutura turística bem precária. Possui poucos hotéis e poucos restaurantes.
  • Comunidade Challa: vivem na parte central de Isla del Sol e controlam o acesso entre as partes norte e sul.    
  • Comunidade Yumani: está na parte Sul da ilha e é mais estruturada que as duas anteriores. Tem bastante hotéis e muitos restaurantes.

Até 2017, era comum os turistas desembarcarem na parte norte da ilha e depois encararem uma trilha até o lado sul.

Esta trilha, que é cheia de subidas e descidas, foi um caminho utilizado pelos incas e tem aproximadamente 8 km, com duração média de 4 horas – detalhe, a caminhada é feita em uma altitude de mais de 4000 metros acima do mar!

A Isla del Sol é habitada em sua maioria por descendentes indígenas das etnias Quechua e Aymara

Por muito tempo, a trilha inca foi a principal atração de Isla del Sol.

A galera chegava no lado norte, conhecia um museu, explorava algumas ruínas incas, visitavam a mesa de pedra para sacrifícios ao deus Sol, e depois rumavam para a parte central, onde era necessário pagar um ‘pedágio’. Ao final, após passarem por florestas de pinheiros e pastos com rebanhos de lhamas e alpacas, alcançavam a parte sul.

Alguns dormiam na ilha e outros embarcavam no último barco rumo à Copacabana.

Mas, como comentei acima, a partir de 2017 tudo mudou. Esta famosa trilha foi fechada por causa de conflitos entre os povos da ilha.


Tudo aconteceu porque o povoado do centro (Challa) construiu algumas estruturas turísticas próximas a um complexo de ruínas chamado Chinkana, localizado no lado norte da ilha. A comunidade do norte  (Challapampa), acusando o povoado do centro de estar degradando o sítio arqueológico,  destruiu as casas construídas.

Pronto, isto foi o suficiente para a treta começar.

Atualmente, todos os barcos que seguem para o lado norte são revistados e, caso existam turistas neles, os barcos são proibidos de atracar. Na parte central da ilha, há também um posto de vigilância, onde a comunidade Challa vigia constantemente a movimentação das pessoas.

Já aconteceu de turistas tentarem ultrapassar o bloqueio e serem agredidos, então, não aconselho ninguém a tentar cruzar a ilha enquanto durar o embate.


Bom, mesmo com a trilha fechada, a parte sul da ilha ainda tem muito a oferecer. E recomendo fortemente que você passe pelo menos uma noite por lá.

O espetáculo que é o por do sol na ilha deve ser visto pelo menos uma vez, e a foto de capa deste post é prova disto 😉

Manco Capac, um dos filhos de Inti, recebe a todos que chegam na ilha

¡Hola, Isla del Sol!

Não tem como ser diferente. Assim que a gente desembarca na ilha, no lado sul da Isla del Sol, a primeira coisa que nos chama a atenção é aquela enorme escadaria que, de tão alta, parece que vai dar no céu, bem na morada do deus Inti!

Depois do susto inicial, a gente passa a reparar nos outros detalhes. No pier, vários barcos atracados e outros chegando com mais turistas.

Ali mesmo já nos é cobrada a entrada na comunidade Yumani: 10 bolivianos por pessoa (+ou- R$ 5,00).

Aproveitando a oportunidade, alguns locais abordam as pessoas, oferecendo serviço de guia ou de transporte de bagagens nas costas de burrinhos.

Sinceramente, olhei para os pobres bichinhos amarrados e… não pudemos.

Em Isla del Sol, os turistas podem contratar burrinhos para subirem com as suas coisas. Mas, para o bem estar dos bichinhos e para sua saúde, deixe o sedentarismo de lado e suba com sua mochila

Na base da escadaria estão alguns pontos turísticos:

Os Altares Cerimoniais e a lendária Fonte Inca dão boas vindas aos que chegam, já as estátuas de Manco Capac e Mama Ocllo ficam posicionadas no início da escadaria, desejando boa sorte para os turistas que terão a difícil tarefa de encarar os incontáveis degraus. 😓

Escadaria de Isla del Sol. Repare, no lado esquerdo, a Fonte Inca e, acima, as representações de Manco Capac e Mama Ocllo

Já haviam me contado também que as escadas da parte sul eram pesadas. Pude comprovar isto na prática. 😅

Por já estarmos bem aclimatados, o sofrimento foi um tantinho menor, mas passamos por algumas pessoas que dava dó. Subiam 5 degraus e já tinha que sentar pra pegar fôlego novamente. Fico imaginando quanto tempo demoraram pra encontrar o hotel 😂😂😂

Degraus da Escadaria Inca

Quanto mais subíamos, mais conseguíamos ter noção da imensidão da Isla del Sol.

Toda vez que as árvores e construções se abriam, ficávamos encantados com a vista! Se a ilha por si só já era incrível, as cadeias de montanhas nevadas ao fundo transformavam o cenário em algo que nunca imaginamos conhecer.

Esta foi tirada enquanto subíamos as escadas. Para mim, um dos cantos mais lindos que vi na ilha.

Assim, pouco a pouco, fomos subindo degrau por degrau, sempre fazendo pausas para contemplar tudo aquilo, fotografar e ganhar fôlego.


Intikala, o hotel mais alto do mundo! (ou quase)

Placas e indicações precisas não são muito o forte de Isla Del Sol.

Sabíamos que nosso hotel, o Intikala, estava localizado na parte mais alta da ilha, mas não sabíamos exatamente onde (e não tinha uma mísera plaquinha pra ajudar).

Centrinho da comunidade Yumani

Fomos subindo e subindo e subindo e nunca chegava.

Cheguei a pensar que estávamos indo na direção errada ou que talvez já tivéssemos passado o hotel. Mas o caminho era muito simples, não é possível que tínhamos errado!

Mais alguns metros acima, onde o morro terminava, entramos à direita e por fim avistamos o hotel.

O hotel, na verdade, lembra mais uma grande casa, e pelo que percebi, a família que o administra vive lá também.

Seguindo a mesma vibe da ilha, o Intikala é bem simples. Os móveis não são novos, o café é simples e o chuveiro às vezes pode falhar. Mas tudo isso é recompensado por um visual estonteante do lago.

Tem como não gostar de um quarto com uma vista assim?

Então, se você ficar por lá, não espere um tratamento 5 estrelas, entre no clima da ilha e aproveite o contato direto com aquele modo de vida tão diferente do nosso.


Aqui você confere nossa avaliação completa do hotel Intikala (em breve).


Atualização: quando ficamos no Intikala, fizemos a reserva pelo Booking. Contudo, momentaneamente o hotel não está disponível no site.

Vou deixar então mais uma opção do Booking que me parece ser bem legal, mas que por motivos de ~ orçamento apertado ~ não reservamos:

Hotel Utasawa

Pra começar, este hotel é o melhor pontuado no Booking em Isla del Sol. Com nota 9.3, o Utasawa tem mais de 250 comentários positivos no site. Os chalés são individuais e também possuem uma vista lindíssima para o Titicaca. Oferece café da manhã e possui calefação nos quartos.
Considerando o difícil acesso à ilha, acho que o preço cobrado por lá é até justo. Pesquisando para novembro/2018, a diária para o casal sai a R$ 335,00 e o quarto individual sai por R$ 273,00.


Roteiro? Deixa pra amanhã!

Tínhamos separado várias coisas para fazer em Isla, não queríamos perder nada.

Mas, assim que chegamos no Intikala, deixamos nossas coisas no quarto, sentamos na varandinha compartilhada do hotel e não deu outra: abrimos uma ou duas garrafas de vinho (que compramos numa vendinha próxima ao hotel – 30 bolivianos a garrafa!) e brindamos o por do sol.

Na ilha, em momento algum pegamos o céu aberto, as nuvens sempre apagavam a cor do céu e também do lago. Mas, ainda com o tempo acinzentado, Isla del Sol mostrou por que é um destino tão procurado pelos viajantes.


Depois do por do sol, saímos para comer no restaurante Inti Jalanta, que fica do ladinho do hotel.

Pedimos filé de truta, que veio acompanhado de arroz branco, batatas e salada. De entrada, foi servida uma sopinha de sopa de Choclo (milho), que ajudou a espantar o frio. E pra beber, não tinha como ser diferente, tomamos o famoso pisco sour, a caipirinha dos andes.

O jantar ficou um pouquinho mais caro do que estávamos acostumados a pagar em La Paz.

Para o casal, deu 90 bolivianos (+ou- R$ 45 reais). Mas estava bem gostoso, e o ambiente do restaurante, apesar de ser bem rústico, era bem agradável.

Foto tirada da varanda do Hotel Intikala

Após o jantar retornamos para o hotel.

Nosso quarto não tinha calefação, mas a quantidade de cobertores foi suficiente para não passarmos frio.


Segundo dia: explorando a ilha

Na manhã do dia seguinte acordamos sob um chuvão.

Tomamos café e ficamos enrolando para ver se a chuva diminuía.

Como a chuva persistia, fomos a arrumar as mochilas, e neste tempinho, por sorte, ela parou.

Era hora de explorar a ilha!


Como já comentei, o lado sul não tem muitas atrações. Tudo se resume a:

  • Fuente del inca: Fonte com três quedas d’água. Cada uma representando um mandamento: 1) não roubar; 2) não mentir; 3) não se entregar à preguiça.
  • Escadaria Inca: dispensa apresentações.
  • Altares Ceremoniales: Construções localizadas bem em frente ao pier.
  • Palácio de Pilkokaina (Templo do Sol): Antiga morada de imperadores incas. Fica a uma distância de 2km da comunidade Yumani.
  • Mirador Pallakasa: um dos pontos mais altos de Isla del Sol. Muita gente vai até lá para assistir o por do sol.

No mapinha abaixo, dá pra ter uma ideia melhor das atrações:


Saímos do hotel e começamos a descer tudo o que tínhamos subido no dia anterior.

Pegamos a “ruazinha” principal e um pouco antes da igreja entramos à direita, em um caminho estreito.

Igreja de San Antonio

O objetivo era encontrar o Templo do Sol.

Andamos uns bons metros, passando por uma floresta de eucaliptos e quando ela se abriu, comecei a sentir novamente os pingos de chuva. Ainda era só uma pequena garoa, mas a ideia de fazer a viagem de volta molhado não animava ninguém.

Mesmo assim, apostando na sorte, continuamos…

Em certo momento, vimos alguns turistas próximos de algo que pra mim muito se parecia com um forno.

Chegamos mais perto e pude perceber que a estranha construção não chegava nem perto de ser um forno 😅 Na verdade, acredito que era uma espécie de altar. Mas, pela falta de qualquer tipo de sinalização ou placa, não sei precisar se a construção também era obra inca.

Vai falar que não parece um forno? kkk

Como a trilha que nos levou até esse ponto tinha sumido, resolvemos fazer uma pequena pausa e aproveitamos pra fazer umas fotos.

Minutos depois, os chuviscos voltaram com mais intensidade, nos obrigando a desistir de encontrar o Templo do Sol 😥

Rapidamente pegamos o caminho de volta e chegamos (secos) no povoado Yumani.

Ainda era cedo, então dava tempo de nos despedirmos da ilha com um belo almoço!

Novamente fomos de truta com arroz e legumes. (Preço do almoço: 60 bolivianos por casal – mais ou menos R$30,00)


Por fim, acabou não chovendo. Mas tudo bem! Motivos não faltarão para uma volta a esse lugar surreal! 💚


Descemos as escadas em direção ao píer e lá compramos nossos bilhetes de volta. Dessa vez ele nos custou 25 bolivianos por pessoa (+ou- R$ 12,50).

No horário marcado embarcamos novamente.

A volta demorou o mesmo tempo da ida, não tinha como ser diferente. Mas, dessa vez tive a sensação que a viagem passou mais rápido.

Não sei se foi a energia da ilha, ou se foi a boa noite de sono sob o som da chuvinha mansa no telhado, de qualquer forma, saí muito mais descansado e disposto de Isla del Sol!

Ainda bem, já que ainda tinha muita coisa pra conhecer e muitos lugares novos para explorar pela frente.


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Flávio é mineiro, formado em Direito e já morou em várias cidades diferentes. Tem a fotografia como hobby e o blog como forma de dividir com outros suas experiências e seus clicks.

4 Comments

  1. Flavio, sabe dizer quais são os horários da volta do barco para Copacabana?

    Obrigado!

    • Flávio Borges Reply

      Fala, Felipe!

      Os horários de volta são 8h30, 10h30, 15h e 16h. Mas é bom confirmar esta informação quando chegar em Copacabana, já que estes horários podem mudar.

      Um abraço

  2. Não estou acreditando que fecharam a trilha!! Fiz esse passeio e achei maravilhoso caminhar do norte ao sul da ilha… tomara que resolvam isso logo.

    • Flávio Borges Reply

      Fecharam a trilha sim e nós não tivemos a mesma sorte de poder cruzar a ilha. Mas acho que logo logo isso vai se resolver…

      Espero poder fazer este percurso em uma outra oportunidade. \o/

      Abraços!

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