Foi cansativo. Faltou ar. Mas valeu muito a pena! Chegar ao topo da montanha Chacaltaya foi um dos passeios mais legais e impressionantes que fizemos em La Paz, e neste post vou te contar nos detalhes como é este tour.

Na agência que contratamos os passeios, havia a possibilidade conhecer Chacaltaya e o Valle de La Luna no mesmo dia, e foi assim que definimos o que fazer no nosso segundo dia na capital administrativa da Bolívia!


Um pouquinho sobre a gigante montanha Chacaltaya

Localizada a aproximadamente 30km de La Paz, a montanha Chacaltaya é um dos picos da Cordilheira Real e vizinha da imponente montanha Huayna Potosí.

O lugar, que já ostentou o título de ‘estação de esqui de maior altitude do mundo’ em virtude de seus 5430 metros acima do nível do mar, hoje tem ares de cidade fantasma, e o motivo disso é justamente a interferência humana na natureza.

Por causa do aquecimento global, a geleira que se formou há aproximadamente 18 mil anos – e que também tinha o nome de Chacaltaya – foi reduzindo ano a ano seu tamanho.

Em 2002 já era impossível praticar esportes de neve na montanha, o que fez com que a estação de esqui fosse desativada. Em 2009, a geleira desapareceu completamente.

Ainda é possível conhecer o prédio abandonado da estação, mas ele está em péssimo estado de conservação.

Hoje, o que restou do ski resort é guardado e administrado por duas pessoas que controlam as visitas a Chacaltaya: os irmãos Samuel e Adolfo.

Samuel teve sua trajetória na estação de esqui retratada em um filme, Samuel Entre As Nuvens.

O filme mostra como o aquecimento global vem alterando o planeta e as vidas das pessoas. Confira o trailer abaixo.


Sobre o tour – Chacaltaya

Contratamos esse passeio na agência No Fear, a mesma onde contratamos o Downhill na Estrada da Morte, porém dessa vez fomos repassados para uma outra empresa. Por sorte, a outra empresa (que não me recordo o nome, sorry!) foi excelente. Nossa guia era ótima, eles foram bem pontuais e a van era bem nova.

Preço por pessoa: 90 bolivianos o tour + 30 bolivianos os ingressos (+ou- R$ 60,00)



A van passou para nos buscar no hotel aproximadamente às 8:45. Conhecemos nosso grupo e após uns 20 minutos na estrada fizemos nossa primeira parada em um mercadinho. Tivemos um tempo para comprar água e snacks, o que foi bem legal, já que o tour não incluía alimentação.

Quem não tinha trazido nada aproveitou a paradinha e comprou seu lanche.

Depois que todos voltaram, continuamos o passeio. A van seguiu por uma estradinha de terra, que em alguns trechos era cortada por pequenos córregos. Nestes pontos, a van acabava passando na água, não tinha outro jeito.

Lhamas pelo caminho!

Ao redor, paisagens lindas: campos verdes cheio de lhamas e alpacas pastando tranquilamente. Ao fundo, se erguem as imponentes montanhas da Cordilheira Real que, graças às chuvas da época (fomos em março!), estavam nevadas. 💚

Na van, nossa guia ia contando várias curiosidades sobre as montanhas, sobre as lagunas e também sobre a cultura boliviana. Contou também sobre a possível origem do nome ‘llama’.

***De onde vem o nome 'Lhama'
O verdadeiro nome da lhama, em idioma nativo aymará, é “QARWA”. Já “Llamar” é um verbo em espanhol (chamar). Segundo nossa guia, o nome do simpático animalzinho surgiu há muitos anos, em um diálogo entre um espanhol que estava na região e um pastor aymará. O homem espanhol, que nunca tinha visto uma lhama antes, perguntou ao pastor que bicho era aquele. O nativo aymará, que não entendia nadinha do idioma castelhano, respondeu em sua língua nativa, que claro, o espanhol não entendeu também. Não satisfeito, o espanhol insistiu: “Como se llama? Cómo se llama?” E o pastor repetiu então a única palavra que entendeu: “llama, llama, llama”, o que fez o espanhol imaginar que “llama” era o nome do animal.

Papo vai, papo vem, chegamos à nossa segunda parada: um mirante à beira da estrada, com uma vista estonteante para a montanha Huayna Potosí (que tem 6088 metros de altitude :O).

Infelizmente o tempo ali naquela área não colaborou e as nuvens cobriram um pouco a paisagem. Mas ainda assim a vista era de tirar o fôlego!

Huayna Potosí

Depois de um tempinho para as fotos, retornamos à van para continuar a subindo a estrada. Caraca, e que subida! 😂

Foram muuuuitas curvas, numa estrada muuuito estreita, à beira de precipícios. Não bastasse todo o sofrimento do dia anterior na volta da Estrada da Morte, tudo indicava que passaríamos por fortes emoções de novo!

A tensão era visível nas nossas expressões, tanto que a guia até tentava amenizar a situação fazendo piadinhas sobre a experiência do motorista nesse trajeto e que as vidas ali dentro da van eram muito valiosas, a começar pela dela 😅. Rimos – de nervoso – e continuamos tensos 😐

Muitas curvas e precipícios a caminho de Chacaltaya

No meio da subida fizemos mais uma parada rápida, dessa vez pra ver as lagunas coloridas lá embaixo e também as muitas curvas que já tinham sido superadas com sucesso!

De volta à van, continuamos aquela subida sofriiiida – se você não tem problema com altura, imagino que seja mais tranquilo… pra mim não foi.

Depois de mais alguns quilômetros, chegamos até onde dava para ir de carro, o ponto onde funcionava a estação de esqui. Nesse ponto a altitude era de 5300 metros acima do nível do mar.





Encarando a montanha

Seria mais fácil ir de teleférico? Seria! Mas para chegar no topo da montanha, não tem jeito, a única forma é ir à pé mesmo, já que o teleférico da estação não funciona mais.

O trecho de caminhada não é longo, na realidade são só alguns metros, mas naquela altitude aparentava ser de muitos e muitos quilômetros.

É necessário pagar um ingresso de 15 Bob (cerca de R$7,50) para acessar o topo da montanha.

Lá em cima, a altitude é de 5430 metros acima do nível do mar 😬

Com o ingresso comprado, a guia nos deu 1h20m livres para circular.

Na estrutura da antiga estação de esqui existem banheiros para os turistas, porém estão em péssimo estado de conservação: portas quebradas, sujeira e falta d’água são apenas alguns detalhes. É importante levar seu papel higiênico e um saquinho de lixo!

A subida fez com que lembrássemos de todo o esforço que fizemos lá no Atacama pra chegar ao topo do vulcão Lascar. A cada 5 passos a respiração ficava mais difícil e as pernas doíam (já falei que fizemos o Downhill no dia anterior né? Haja relaxante muscular pra dar conta haha).


Se ainda não leu o nosso relato sobre a experiência incrível de subir um vulcão, veja aqui!


O que sobrou do Chacaltaya Ski Resort

Mas é aquela história: sempre pode piorar! Até um certo ponto, caminhamos entre muitas pedras, mas nos metros finais tinha uma camadinha generosa de neve no caminho, o que complicou um pouco mais o percurso.

Estávamos com botas de trekking que graças a Deus eram impermeáveis (ufa!), mas com a inclinação no solo era um tanto difícil avançar sem escorregar.

Fomos persistentes, e mesmo sendo os últimos a chegar, completamos o desafio (nosso grupo já estava descendo nesse momento 😬).

Lá no alto, quase instantaneamente o tempo fechou e várias nuvens encobriram a paisagem. Por causa disso a vista panorâmica ficou prejudicada e não conseguimos ver o Huayna Potosí e a cidade de El Alto. Mas ainda assim, o pouco que vimos fez valer o esforço pra estar ali.

Em dias sem nuvens, também é possível avistar um pedacinho do Lago Titicaca!

Tiramos algumas fotos e logo chegou a guia pra nos buscar (☺️ talvez tenhamos nos atrasado um pouquinho). Assim como ela surgiu no meio daquela neblina toda nos chamando para descer, também desapareceu – invejei o preparo físico dela 😮.

No meio das nuvens – literalmente!

Começamos a descida no nosso ritmo, escorregando bastante nas pedrinhas e na neve, mas ao final não contabilizamos nenhuma queda (grave 😅)!

No meio da descida começou a nevar! 😍😍😍

Me julguem, mas eu fiquei empolgada e não queria mais ir embora dali!

Porém nesse momento lembrei da estrada estreita e cheia de curvas, imaginei que ela poderia ficar escorregadia por causa da neve, e então acelerei o passo 😅.


A volta na van foi mais tranquila, ainda bem! 😅

Depois de algum tempo rodando por aquela estrada cheia de curvas, retornamos à La Paz e sem paradas seguimos para o Valle de La Luna.


Pois é, assim como o Chile, a Argentina e o Brasil, a Bolívia também tem um Vale da Lua!


Curiosidades sobre Chacaltaya:

  • Chacaltaya significa ‘caminho gelado’ no idioma aymará.
  • O cume do Chacaltaya fica a 5420 metros acima do nível do mar, mais alto que o acampamento base do Everest, que fica a 5364 metros!


Valle de La Luna

O Vale da Lua boliviano é uma formação geológica que, como o nome sugere, lembra a superfície do solo lunar.

Na verdade o lugar não chega a ser bem um vale, e sim um labirinto de imensas torres e cânions compostos por arenito, cinza vulcânica e argila. 

O Valle de La Luna e suas formações peculiares

As formações super diferentes são resultado da ação de chuvas e ventos na região por milhares de anos.

 O Vale da Lua fica a aproximadamente 10 km do centro de La Paz, perto de uma pequena cidade chamada Mallasa.

Centro de informações turísticas / bilheteria

A van nos deixou na entrada do Valle. Passamos na bilheteria pra comprar os ingressos (15 Bolivianos por pessoa, mais ou menos R$7,50) e corremos pra uma sombra, onde aguardamos o restante do grupo. O sol estava escaldante! 😬

Logo na entrada do parque há banheiros e um pequeno centro de informação turística.

O parque tem duas opções de trilhas: a primeira pode ser percorrida em 15 minutos, e a segunda, em 45 minutos. Durante o percurso existem mirantes e passarelas.

A guia nos deu aproximadamente 40 minutos para caminhar pelo parque.

Ao longo do caminho, é possível observar algumas espécies de cactos, entre elas o cacto San Pedro de Wachuma, utilizado por mais de 3000 anos pelos povos andinos em rituais de cura e adivinhação. Este uso para fins religiosos tem ligação com as propriedades alucinógenas da planta. 

Também é possível encontrar pelo caminho lagartinhos, aranhas e, com sorte, uma viscacha – uma espécie de coelhinho andino misturado com chinchila.

Algumas das formações rochosas tem nome e desafiam a nossa imaginação. Você conseguiu enxergar o ‘chapéu da dama’ aí? rsrs

É impressionante como o clima pode ser tão diferente em locais tão próximos! Enquanto em Chacaltaya o tempo estava completamente nublado, muuuuito frio e até nevou, no Valle de La Luna o céu estava azul, com poucas nuvens e o calor era de matar!

A caminhada no Valle de La Luna é bem tranquila, com alguns trechos de subida e descida, bem demarcados e sinalizados.

A todo momento parávamos pra tirar fotos e admirar a vista.

Para quem vem do Atacama, talvez a paisagem não impressione tanto. Mas ainda assim a visita vale a pena, já que alguns estudiosos acreditam que em algumas décadas o local não existirá mais, por conta da composição frágil do solo e constantes ventos e chuvas fortes a que o local é submetido ao longo dos anos.


Curiosidades sobre o Valle de La Luna

  • Há boatos de que a primeira expedição para a Lua foi forjada e que as imagens da transmissão foram feitas por lá 😮
  • Nem sempre o Valle de La Luna boliviano teve esse nome. Segundo os guias locais, em 1969, quando Neil Armstrong (sim, o primeiro astronauta a pisar na Lua!) esteve na Bolívia, ele notou que a paisagem do até então Valle de las Viscachas era semelhante ao solo lunar, e a partir daí passou a se chamar Valle de La Luna.


Dicas importantes:

  • Vista-se em camadas: calça e blusa segunda pele + fleece ou outra blusa quentinha + corta vento. Luvas, gorro e cachecol também são importantes, pois em Chacaltaya venta e faz MUITO frio! Mas vá com uma blusinha fresca por baixo, pois no Valle de La Luna provavelmente já vai ter esquentado bastante. Compare as fotos dos dois lugares pra ter uma ideia!
  • Quanto ao calçado, vimos pessoas usando tênis normal, mas indico uma bota de trekking, de preferência impermeável, para os possíveis trechos com neve no Chacaltaya.
  • Leve seu lanchinho: se a agência não tiver lanche incluído no passeio, é uma boa estar preparado, já que o tour sai por volta de 8:30 da manhã e só retorna lá pelas 15h da tarde. Água é um item essencial!
  • Protetor solar e hidratante labial, sempre! Óculos de sol e boné também são importantes, já que o percurso no Valle de La Luna é todo aberto e o sol é de rachar!
  • Normalmente os tours não incluem os ingressos das duas atrações, portanto é necessário pagar 15 Bolivianos na montanha Chacaltaya e 15 Bolivianos no Valle de La Luna.
  • Leve dinheiro também para comprar o lanche no caminho.
  • Leve sempre na bolsa/mochila papel higiênico e saquinho de lixo.

E aí, gostou de conhecer um pouquinho mais de La Paz com a gente? 😀

Qualquer dúvida, já sabe, né? Manda ver nos comentários!


Programe sua viagem com a gente!

O Blog Viajando na Janela participa de alguns programas de afiliados. Entre os nossos parceiros estão o Booking e a Real Seguros.

Sempre que você faz alguma reserva ou contrata seu seguro viagem utilizando nossos links, ganhamos uma pequena comissão, que ajuda nos gastos que temos para manter o Blog ativo e atualizado. 🙂

Então, se você curte o nosso trabalho e quer colaborar, basta fazer a sua reserva através dos banners abaixo. Você não paga nada a mais por isso! Agradecemos de ❤

Hospedagem

Reserve sua hospedagem em La Paz pelo Booking! 

Seguro Viagem

Faça sua cotação com a Real Seguro!


LEIA TAMBÉM


 

Author

Mineira, 31 anos, formada em Sistemas de Informação com Pós em Administração e Marketing. É apaixonada por viagens, principalmente aquelas que possibilitam visitar novos lugares e conhecer novas culturas. Passa horas na internet lendo relatos de outros viajantes e adora contar suas experiências nas redes sociais e no blog.

2 Comments

Write A Comment