Pode até ser que as Cataratas dos Couros são sejam uma atração tão famosa na Chapada dos Veadeiros quanto a Cachoeira Santa Bárbara ou o Vale da Lua, mas acredite: este é um dos passeios mais imperdíveis da região e de forma alguma pode ficar de fora do seu roteiro!


A começar pelo paredão de onde despenca uma Catarata que, em época de chuva, tem um volume de água gigantesco, passando pelos mais de 100 metros de altura da Cachoeira São Vicente, e sem esquecer dos imensos cânions e formações rochosas que embelezam o lugar, as Cataratas dos Couros são uma atração quase obrigatória para os amantes da natureza 😀


Visitamos as Cataratas dos Couros no nosso último dia de viagem pela Chapada, mas pra chegar até lá não foi moleza não! 😓

Este passeio ficou para o último dia por causa de uma série de eventos não pudemos aproveitar da forma que queríamos, mas ainda assim valeu a pena todo o perrengue para conhecer.

Um dos grandes problemas que tivemos foi que viajamos  em um feriadão (fomos no feriado de outubro), então já esperávamos encontrar as atrações bem cheias. Só que tivemos um contratempo maior e que agravou ainda mais a situação: o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros estava fechado por causa de uma série de queimadas, que consumiram mais de 68 mil hectares de um total de 240 mil. Até mesmo o Jardim de Maytrea ficou inteiramente queimado! Consequentemente, todos os milhares de turistas que poderiam estar espalhados pelo Parque tiveram que procurar outros passeios, o que aumentou a concentração nas cachoeiras que sobraram (inclusive na Catarata dos Couros 😞).

Mesmo sabendo disso, resolvemos tentar a sorte!

Catarata dos Couros em época de seca

Sobre as Cataratas

As Cataratas são formadas pelo Rio dos Couros. Em época de chuva, as águas do rio passam com muita força pelos cânions, então é preciso tomar bastante cuidado ao visitar o local.

É também na época de chuva, que vai de outubro a abril, que a Chapada está mais verde e o volume dos rios maior, então a paisagem fica bem mais bonita. Mas para quem quer nadar e curtir as Cataratas sem medo, ir na seca (de maio a outubro) é a melhor (e mais segura) opção.

As Cataratas na verdade são quatro quedas d’agua. A primeira é a Muralha, a segunda a São Vicente, a terceira é a Cachoeira do Parafuso e a última a Bujão. Entre estas cachoeiras existem vários poços onde dá pra entrar e se refrescar!

Catarata dos Couros
Um dos vários poços formados pelo rio

Como o trajeto às Cataratas é demorado e considerando que por lá existem muitas atrações, separe um dia inteiro para conhecer com calma o lugar.

A entrada nas Cataratas é gratuita e lá não há estrutura, somente uma barraquinha antes da trilha que, quando fomos, estava vendendo água de coco, água mineral, refri e cerveja.

No início da trilha que leva às cachoeiras há um estacionamento, e haviam algumas pessoas cobrando para “olhar” os carros (não sei dizer se sempre eles estão por lá). Então, aconselho levar um dinheiro trocado para pagar os guardadores, já que existem vários relatos de gente que teve o carro arrombado ao deixa-lo estacionado.




Nosso Primeiro Imprevisto

Acordamos cedo no Camping Viveiro e resolvemos que antes de pegar a estrada para as cacheiras, iríamos dar uma passada na Feira do Produtor Rural de Alto Paraíso para experimentar a comida que é vendida por lá.

Como o Parque Nacional estava fechado (e ele era nossa primeira opção) conheceríamos as Cataratas dos Couros nesse dia. Nossos guias Fábio e Mônica já conheciam o lugar, mas o restante da galera ainda não.

Pra quem chegou agora, o Fábio e a Mônica moram em Brasília e são experts quando o assunto é Chapada dos Veadeiros. Eles escrevem o blog Leve Sem Destino, que tem bastante conteúdo sobre a região

Antes de sair do Camping, descobrimos o primeiro imprevisto do dia: pneu furado em um dos carros (o nosso, por acaso 😅).

Ok! Um pneu furado não iria estragar o passeio. Colocamos a mão na graxa, trocamos o pneu, e seguimos para a feira! Só depois de tomar o café da manhã é que saímos em busca de uma borracharia aberta.

Como era feriadão, a única que encontramos foi a borracharia do posto de Alto Paraíso (e não ficou muito barato o reparo – R$60,00 💸).

Pneu ok, seguimos para as Cataratas.

No caminho das Cataratas avistamos araras, tucanos e até esta simpática coruja!

Como chegar nas Cataratas dos Couros?

O caminho para as Cataratas não é muito fácil. Pra chegar lá, partindo de Alto Paraíso, é necessário enfrentar 20 km de asfalto + 35 km de estrada de terra.

Como a estrada não é muito

boa, o percurso em carro baixo não costuma durar menos do que uma hora. No nosso caso demorou um pouco mais do que isso e já já você entenderá o porquê.

O caminho para as Cataratas é bem confuso, e o pior: as poucas placas de sinalização que existiam por lá foram arrancadas. Então, se você não conhece a região, indico fortemente que contrate um guia local.
Indo com o guia, você poderá conhecer melhor e com mais segurança as Cataratas dos Couros e ainda contribuirá com as pessoas que vivem de turismo na Chapada. O guia pode ser contratado no Centro de Atendimento ao Turista (CAT) de Alto Paraíso ou em alguma agência de turismo da região.

Neste post, o pessoal do Leve Sem Destino dá o “caminho das pedras”, ou melhor, “da terra” (rsrs desculpe o trocadilho!) para chegar em Couros.

Chegando na Cachoeira São Vicente

Segundo imprevisto

Pra você que vai dirigindo, saiba que todo o cuidado é pouco na estrada de terra. Como fomos na época de seca e não chovia há muito tempo por lá, a poeira da estrada estava muito alta. Em determinados pontos quando passava algum carro não conseguíamos ver quase nada na nossa frente.

Mas o maior problema é que, como estávamos em dois carros de passeio, sofremos bastante com a estrada que era cheia de “costelinhas” e buracos.

Dá para ir até Couros com carro baixo (tanto é que nós fomos e vimos muita gente indo também), mas o mais indicado é que você vá com um 4×4. Esta dica vale principalmente para a época de chuva em que a estrada fica bem ruim.

Devido ao tanto que estavamos “pulando” naquela estrada esburacada, o carro em que estavam os casais Thiago e Fabi e  Maurício e Carol* apresentou uma falha no ponteiro de combustível. O ponteiro da gasolina que estava indicando que o tanque estava cheio, simplesmente desceu de uma vez para a reserva. Então, por precaução, eles resolveram voltar para Alto Paraíso para ver esta questão do marcador e colocar gasolina se fosse necessário.

* A Carol é blogueira e escreve o Idas e Vindas da Carol. Dê uma olhada no Blog dela e confira + posts sobre a Chapada!

Nós continuamos o trajeto pela estrada. Depois de andar mais um pouco, nos deparamos com um fusca que não conseguiu subir um morro bem inclinado, desceu de ré, bateu em um monte de terra e ficou preso. Diante da situação, demos uma forcinha para o pessoal que estava no carro. Ajudamos a empurrar  e ele conseguiu sair de onde estava preso.

Só que o que não esperávamos era que, no alto do morro onde o fusca ficou preso, já quase chegando nas Cataratas, foi a vez do nosso carro aprontar! Simplesmente a luz de óleo acendeu…
Ahh, mas é só uma luzinha, coisa boba né? Bem, se assim como eu você também não entende de mecânica, saiba que a luz de óleo acessa é uma das indicações de que a qualquer momento o motor pode fundir 🙀. Como eu sabia pelo menos isso, já fiquei super preocupado!

Mas Couros estava logo mais a frente! Mais um pouquinho e chegaríamos. Resolvemos então parar, esperar o carro esfriar, ver como estava o nível do óleo, e, se a luz apagasse, seguir até as Cataratas e lá procurar ajuda. (Se não apagasse, não tenho ideia do que faríamos kkk)

Depois que o carro esfriou, medi o óleo e estava ok, a luz tinha apagado (ufa). Possivelmente o problema foi somente a grande trepidação da estrada que fez algo maligno para que a luz acendesse.

Depois de todo este perrengue, enfim chegamos nas Cataratas! 😓


Conhecendo as Cataratas dos Couros

As Cataratas dos Couros não fazem parte do Parque Nacional e a entrada nelas é gratuita. Mas, como disse no começo do post, antes da trilha que leva até elas existe uma área em que ficam algumas pessoas da região cobrando o estacionamento.

Ficamos surpresos com a quantidade de carros estacionados! Tivemos até que dar uma volta por lá para encontrar um cantinho pra estacionar. Dali já percebemos que estaria lotaaaado de gente.

Trilha pra chegar nas Cataratas

Pagamos o vigia do estacionamento e descemos pela trilha.

A trilha para as Cataratas é de nível fácil, mas é importante tomar cuidado com algumas pedras soltas. A melhor pedida é fazê-la de tênis.

Depois de uma descida de alguns metros, já demos de cara com a Cachoeira da Muralha.

Cachoeira da Muralha

Como estávamos em um período de forte estiagem, tinha pouca água caindo do paredão. E, como prevíamos, bastante gente nadando nos poços dela.

Não descemos até a muralha, vimos ela de longe e deixamos para voltar no final. Começando de trás pra frente poderíamos administrar melhor o tempo em cada cachoeira.

Continuamos na trilha que seguia ao lado do rio e passamos por vários poços que são excelentes para banho e que pra nossa sorte não estavam tão cheios. Ainda assim não paramos, queríamos conhecer as outras atrações antes de entrar na água.

Vista de um dos mirantes da Cachoeira São Vicente

Andamos por mais alguns metros e lá estava ela: Cachoeira São Vicente (ou Almécegas 1000)!

A queda é realmente surpreendente! Mais de cem metros de muita água descendo, o que torna o visual simplesmente incrível! E pra ajudar, existem alguns mirantes onde você pode contemplar a grandiosidade da cachu.

Cânion

Depois de muitas fotos no mirante, continuamos na trilha e chegamos até um penhasco imenso que dava para um desfiladeiro. A vista de lá realmente é lindíssima, mas nem ficamos muito tempo por lá. Com o calor que estava fazendo, tudo o que queríamos era dar um mergulho!

Continuamos a andar, descemos alguns barrancos e de longe avistamos a Cachoeira Parafuso.

Cachoeira Parafuso (lotada!)

Esta é outra cachoeira que vale a pena conhecer, mas, pra gente não rolou. A cachu estava simplesmente abarrotada! Pela foto dá pra ter uma noção.

O nome “parafuso” vem do fato de que embaixo da queda dessa cachoeira se forma um redemoinho. Então é importante ter cuidado!

Como queríamos ficar mais sossegados, optamos por voltar e nadar nas piscinas naturais que ficam acima da São Vicente.

Lá pudemos deixar nossas coisas em um cantinho e curtir algumas horas relaxando na água.

Poço em que ficamos a maior parte do tempo!

O pessoal que estava no outro carro conseguiu ir até Alto Paraíso, ver o problema do carro e reencontrar a gente. 

Depois de curtir a água por algumas horas, retornamos para a trilha e voltamos até a Muralha. Dessa vez fomos até os poços dela, mas não entramos. Primeiro porque já tínhamos nadado muito e segundo porque estávamos com um pouquinho de pressa! Tínhamos uma reserva na Risoteria Santo Cerrado para a noite e não queríamos perdê-la. 😀

99 (looongos) passos

A trilha de volta é morro acima e, se o sol estiver forte, bate aquele cansaço! A sorte é que ao chegarmos no início da trilha, compramos uma água de coco e conseguimos nos refrescar um pouquinho!

Pôr do sol na Chapada

Na volta ainda aconteceu outro perrengue!  O escapamento do carro furou e, por consequência, ele foi fazendo o maior barulho estrada afora. 😖

Apesar deste inconveniente, a volta foi tranquila. No caminho vimos tucanos, corujas e até casais de araras pelo céu!

Pôr do sol estonteante na Chapada dos Veadeiros

Estávamos atrasados e com medo de perder a reserva na Risoteria, mas mesmo assim não resistimos ao pôr do sol e tivemos que parar o carro pra assistir!

Paramos em um campo e simplesmente ficamos boquiabertos com o espetáculo que presenciamos! O laranja e o vermelho foram tomando o céu azulado e no final o céu estava espetacular. Só vendo mesmo para entender a beleza do Cerrado!

Dica: Se você tiver a oportunidade, tente assistir o pôr do sol em um dos campos de chuveirinho da Chapada, como o pessoal do do Blog Viagens Cinematográficas fez!


Mais sobre a Chapada!

Veja neste link todos os posts sobre a Chapada dos Veadeiros e organize a sua viagem!



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Escrito por

Flávio é mineiro, formado em Direito e já morou em várias cidades diferentes. Tem a fotografia como hobby e o blog como forma de dividir com outros suas experiências e seus clicks.

4 Comments

  1. Nossa… quanto perrengue! Ainda bem que vocês chegaram e que o lugar valeu cada susto! Muito bonitas as paisagens e eu também teria preferido ficar naquele poço mais vazio. Mas me contem: e o risoto?! Estava bom?! Em tempo: que por do sol mais lindo! Irresistível mesmo!

    • Flávio Borges Reply

      Olá Ana! A ida foi meio complicadinha mas, como deu pra ver, valeu muito a pena! Quanto ao risoto, estava uma delícia sim! 😉

      Um abraço!

  2. Lendo esse post me deu vontade de ir agora mesmo para a Catarata dos Couros. Adorei a dica, ja vou guardar aqui que quero ir em breve para a Chapada. Bjssss

    • Flávio Borges Reply

      O lugar impressiona, Angela! É lindo demais e vale a visita! 🙂

      Um abraço!

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