Espalhados pelos movimentados aeroportos, na entrada dos templos budistas, colados em muros das grandes cidades, os cartazes que alertam que a imagem do Buda não é um ‘elemento de decoração’ estão em destaque nos principais pontos de circulação de turistas na Tailândia.

Mas afinal, é mesmo proibido trazer uma imagem de Buda para casa? Mesmo se for somente uma lembrança de viagem ou para presentear alguém querido? E se eu realmente me simpatizar com a filosofia que prega o budismo, posso?

Para responder a essas perguntinhas – que são muito comuns para quem viaja para a Tailândia -, é importante entender a relação dos praticantes do budismo com as estátuas e o que diz a lei tailandesa.

Imagens de Buda vendidas em Bangkok
Imagens de Buda vendidas em Bangkok

Como é o budismo na Tailândia?

Se no Brasil mais de 86% da população é cristã, na Tailândia é o budismo que desponta na dianteira. Segundo a Wikipedia, cerca de 95% da população tailandesa segue os ensinamentos do príncipe Siddharta Gautama, o Buda.

Assim como o cristianismo se divide em várias religiões (como o catolicismo e o protestantismo), o budismo também se ramifica em diferentes segmentos, chamados “escolas”. Na Tailândia – e em outros países do sudeste asiático como Laos, Camboja e Birmânia -, a escola predominante é a Theravada, que é a mais antiga e também a mais rígida e conservadora vertente do budismo.

Ou seja, em terras tailandesas, a prática e crença no budismo é realmente levada a sério. E isso é fácil de se constatar. Basta uma volta por cidades maiores como Bangkok ou Chiang Mai para que a gente se surpreenda com a enorme quantidade de templos imensos adornados espalhados pelas ruas. Nas casas e pontos comerciais tailandeses, encontrar altares com oferenda para espíritos benfeitores é quase tão comum como encontrar uma TV nas nossas.

Já sabendo que o budismo está completamente enraizado no modo de vida e na forma de pensar dos tailandeses, é importante que nós, enquanto turistas, conheçamos algumas regras do budismo e as respeitemos. Afinal, somos as visitas!


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Sobre as polêmicas estátuas

Apesar de pregar um modo de vida zen, é fato: quando pessoas desrespeitam o budismo ~ geralmente turistas ~ o sangue dos tailandeses ferve e eles realmente ficam furiosos.

E é neste ponto que entra a questão das imagens. As réplicas de Buda são tidas como símbolos sagrados pelos budistas e para eles devem ser tratadas como tal.

Comprar Buda na Tailândia

Apesar das imagens não serem elementos de adoração assim como os santos da Igreja católica são, as figuras esguias do Buda servem para rememorar os seus ensinamentos sagrados e o desrespeito a elas reflete também no desrespeito ao maior líder budista que já existiu e também ao Buda interior que habita todas as pessoas.

Seja nas casas, seja em templos, a imagem do Buda deve sempre estar em posição de destaque e em um altar próprio. Sobre ela, não pode existir nenhum outro tipo de figura ou imagem. O Buda também não pode ficar no chão, que é considerado um local impuro (no banheiro nem se fala!).

Além de tudo isso, saber se portar diante da imagem é fundamental. Um budista jamais vai apontar seus pés para uma imagem, mas sempre mantê-los virados para trás. Assim como o chão é considerado impuro, as partes baixas do nosso corpo (pés e pernas) também o são.

Para o budismo, a imagem não pode ter o status de mera decoração. Ela tem que adquirir um significado real de devoção aos ensinamentos sagrados. Diferente do que muitos pensam, o Buda não pode ser encarado como uma figura pop.

E é exatamente por isso que os tailandeses são contra a comercialização indiscriminada de imagens de budas.

Não precisa muito esforço para chegar a conclusão de que dificilmente uma imagem levada por um turista vai receber o tratamento adequado. Muito pelo contrário, provavelmente ela vai parar em uma estante junto com um monte de outros souvenirs de viagem, sobre a grama de um jardim ou na penteadeira de um quarto.

Lei tailandesa

Ok, esse é o ponto de vista da religião budista. Mas o que diz a lei tailandesa?

O que acontece é que na Tailândia, a religião e a lei andam muito próximas e o Governo dá uma atenção especial às imagens do Buda.

Segundo a Lei (Act BE2469), se você comprar até 5 imagens pequenas, de no máximo 12 cm e fabricada há menos de 5 anos, poderá embarcar com ela para casa sem maiores problemas.

Para sair com imagens maiores do que essa medida e em quantidades superiores a 5 é exigida uma autorização especial do Fine Arts Department (Departamento de Belas Artes). Para consegui-la, é necessário provar relação com a prática do budismo e a imagem deve ter sido adquirida de um vendedor autorizado. Segundo o site Bangkok Post a permissão demora de 3 a 5 dias para ser expedida.

Outra questão importantíssima é que é proibida a comercialização e a saída da Tailândia de qualquer parte avulsa do Buda.

Ter uma cabeça de Buda em casa, por mais que a peça possa ser esteticamente bonita, é algo abominável para os tailandeses.

Mas se os tailandeses são contra a venda de imagens de Buda, por que elas continuam sendo vendidas?

Se nos Aeroportos de Bangkok há vários cartazes desencorajando a compra de imagens de Buda, na Khao San, uma das ruas mais turísticas de Bangkok, parece que tudo isso é esquecido. Por lá dezenas de ambulantes e lojas negociam as pequenas imagens diariamente com os turistas.

A Organização Knowing Buddha, uma ONG que tem como missão educar o mundo sobre o respeito ao budismo, explica que a venda por si só não é errada. Afinal, muitos budistas precisam adquirir a imagem para fins religiosos. O problema maior é mesmo o cuidado e a destinação que a imagem vai receber.

E sobre a venda indiscriminada para turistas, em seu site a ONG menciona que a prática é feita por pessoas que “só se preocupam com seus próprios benefícios” e conclui afirmando que os “verdadeiros budistas sentem vergonha disso“.

Comprar ou não comprar?

Comprando um Buda dentro das determinações legais tailandesas (imagem inteira e menor do que 12 cm), ninguém será barrado no controle do aeroporto… Mas, antes de colocar Buda na mala e voltar pra casa, vale a pena refletir um pouquinho sobre o porquê de estarmos levando a imagem.

Talvez no final a gente acabe percebendo que uma imagem de elefante pode ser uma recordação tão boa quanto um Buda. E olha, em Bangkok você vai encontrar vários elefantinhos lindos!

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Flávio é mineiro, formado em Direito e já morou em várias cidades diferentes. Tem a fotografia como hobby e o blog como forma de dividir com outros suas experiências e seus clicks.

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